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Os bons ventos para os certificados de energia renovável

Até outubro de 2018 já havíamos chegado à marca de 1,3 milhão de certificados comercializados e em 2019 a estimativa é chegar a 3 milhões

Existe uma novidade importante no mercado das energias renováveis que merece que os profissionais do setor dediquem um tempo para analisar, compreender e, então, passar a acompanhar mais de perto. Refiro-me ao Programa de Certificação de Energia Renovável, que está registrando um crescimento considerável no Brasil e demonstra que existe um futuro promissor
para as empresas que quiserem investir neste negócio. É mais um fruto importante dos nossos bons ventos e que trará benefícios não apenas para as empresas que aderirem ao programa, mas para o próprio setor eólico como um todo, já que impulsiona seu crescimento.

Mas, antes de seguir, talvez seja importante explicar um pouco mais o que são tais certificados, já que muita gente do próprio setor tem dúvidas. Vou começar bem do princípio para que também os que não são do setor possam seguir toda a linha que explica a existência e o funcionamento do Certificado. Como muitos de vocês sabem, a estrutura brasileira de geração, transmissão e distribuição de energia torna impossível rastrear os elétrons de uma usina de geração de energia até seu ponto de consumo. A energia elétrica de um determinado parque eólico, por exemplo, é injetada no sistema elétrico e, portanto, se mistura com outros elétrons de outras fontes de energia (renováveis ou não). Na etapa seguinte, sua distribuidora local retira essa energia do sistema elétrico e leva até o ponto de consumo. Nem você e nem sua distribuidora local de energia podem, portanto, afirmar de onde os elétrons são originados.

O que algumas pessoas não sabem é que, ainda assim, existe um jeito de escolher a energia que você irá consumir, por meio de um sistema de certificação da energia. Como isso é possível? Simples, por um sistema de contabilização que controla o equilíbrio entre entrada e saída de certificados.

Quando uma geradora é certificada, a energia gerada é acompanhada da geração dos Certificados de Energia Renovável (RECs) correspondentes ao montante produzido. Um REC é a prova de que 1 MWh (um megawatt hora) foi injetado no sistema a partir de uma fonte de geração de energia renovável. Quando um consumidor compra um REC de uma geradora, ele se apropria, por meio de um certificado, daquela energia que foi injetada no sistema e aquele REC não será usado por mais ninguém e aquela quantidade de energia sai da conta do sistema. Quanto mais cresce a procura por RECs, mais cresce a necessidade de termos geradoras de energia renovável. E como vou mostrar mais adiante não resta dúvida de que as empresas estão buscando cada vez mais adquirir RECs.

Para que uma determinada geradora possa emitir RECs e vendê-los, ela precisa passar por um processo de certificação. Uma vez certificada, a usina passa a emitir RECs para cada 1 MWh de energia injetada no sistema elétrico. E estes RECs ficam disponíveis para compra por empresas que queiram certificar que seu consumo de energia é renovável. No site do Programa
www.recbrazil.com.br, é possível ter informações detalhadas sobre todo o processo e como é feita a compra e venda verificadas, em ambiente certificado, de acordo com as legislações vigentes que normatizam este sistema. Além disso, o site tem um vídeo bastante didático que explica o funcionamento dos Certificados.

O fato é que a demanda por RECs é maior a cada dia. Até outubro de 2018, por exemplo, já havíamos chegado à marca de 1,3 milhão de certificados comercializados no ano, o que já era cinco vezes superior ao comercializado em 2017. Em 2019, a estimativa é chegar a 3 milhões de certificados.

Estes dados que estou mencionando são fornecidos pelo Instituto Totum, emissor local de RECs no Brasil credenciado pela organização mundial I-REC Services. O Programa de Certificação de Energia Renovável, por sua vez, foi criado pela Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel) e a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), e já conta com apoio da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).

O crescimento do interesse pela certificação e compra dos RECs sinaliza que as empresas estão preferindo consumir energia renovável e, ao mesmo tempo, mostra o compromisso com a mudança de comportamento energético. Em outubro deste ano, por exemplo, a Vivo, marca da Telefônica no Brasil, informou que, a partir de novembro, a empresa passa a registrar 100% de seu consumo de energia elétrica proveniente de fontes renováveis, com a obtenção de energia renovável certificada.

Desde 2013, quando passou a contar com um sistema estruturado de registro, emissão e transação de RECs, o mercado brasileiro acumula sucessivos recordes de crescimento. A partir de 2016, o País passou a integrar o grupo de países que segue o padrão internacional I-REC. O I-REC é uma plataforma internacional de transações que permite aos consumidores adquirirem o certificado de uma energia de fonte renovável rastreada para compensar as emissões pelo consumo de energia de origem fóssil ou de difícil comprovação de origem. Com isso, é possível alcançar metas de aumento de energia renovável para grandes empresas, sem a necessidade de investimento em geração de energia própria.

Outra iniciativa que tem contribuído para o crescimento da emissão de RECs e usinas certificadas é o Programa mundial RE 100. O Instituto Totum esteve presente em março de 2018 na conferência REC Market Meeting, em Amsterdã, e em outubro de 2018 na Renewable Energy Markets, em Houston, como palestrante. Ambos eventos contaram com a participação de mais de 300 pessoas de empresas de energia, grandes consumidores, agências governamentais, consultores e ONGs, e os eventos foram focados na discussão sobre o aumento global da demanda de energia renovável, com destaque para essa iniciativa do RE 100, que congrega as empresas comprometidas com consumo de 100% de energia renovável. Esse grupo RE 100 já conta com mais de 180 empresas, representando uma demanda de mais de 170 TWh.

Também é importante mencionar o plicativo ZIIT, lançado em 2016 para divulgar o programa e conscientizar as pessoas sobre sua importância. O Ziit permite recarregar o celular utilizando energias renováveis. O sistema funciona por meio do sistema de balanço e compra de RECs. Ao utilizar o aplicativo Ziit, para cada watthora consumido, um watthora da energia renovável escolhida será gerado. Para ter o Ziit, basta fazer o download na App Store ou Google Play, escolher o tipo de energia que deseja e colocar o celular para recarregar na tomada. Sempre que o Ziit estiver aberto, mesmo que em segundo plano, o celular será recarregado com energia renovável.

Em resumo, a mensagem que gostaria de deixar para as empresas é que este é um tema importante e que merece a atenção de todos os empresários conscientes de seu papel de promover a sustentabilidade. Nós estamos investindo nesse Programa porque acreditamos em seu enorme potencial e em seus benefícios para a sociedade. Nossos bons ventos estão nos dando mais uma coisa da qual poderemos nos orgulhar e que vai significar uma contribuição para um futuro mais sustentável.

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